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Dia Internacional Do Farmaceutico

Dia Internacional Do Farmaceutico

O que na verdade é o dia internacional do farmaceutico e o que fazer com ele

A data cai em 25 de outubro e foi instituída pela FIP, a Federação farmacêutica internacional, com o objetivo de dar visibilidade à profissão. Na prática, muita gente acha que é só um dia de postagem institucional no LinkedIn, mas tem um lado operacional que as pessoas não costumam considerar. Quando eu trabalhei com farmácia hospitalar, o dia 25 de outubro virava uma caçada. A gente precisava organizar atividades de aferição de pressão, testar glicemia, orientar sobre uso correto de medicamentos. O problema real era o seguinte: a maioria dos pacientes que aparecia não tinha nenhuma informação sobre os medicamentos que tomava. Levava papel timbrado de clínica, bula arrancada do Google, às vezes nem isso. Eram idosos polimedicados sem acompanhamento farmacêutico estruturado. Meu jeito de resolver isso era simples mas demandava organização prévia. Antes do dia 25, eu montava uma planilha com os pacientes cadastrados no serviço que tinham pelo menos três medicamentos em uso contínuo. Na data, eu pedia para a recepção avisar especificamente esses pacientes, oferecendo uma consulta de revisão farmacêutica de dez minutos. O resultado costuma ser revelador em cerca de quarenta por cento dos casos, há algum medicamento em uso que não tem indicação clara ou uma duplicidade terapêutica que passou despercebida.

Não é romântico. É logística. E funciona melhor quando você não tenta abraçar o mundo inteiro num só dia.

Como estruturar uma ação prática para a data

Vamos direto ao procedimento se você estiver pensando em organizar algo na sua unidade ou comunidade. O primeiro passo é definir o escopo. Você não vai atender todo o bairro de uma vez. Escolha um recorte viável: pacientes crônicos cadastrados, usuários de anticoagulantes, gestantes em acompanhamento. Quanto mais específico, mais profundo pode ser o atendimento. Eu costumava focar em hipertensos e diabéticos porque são os perfis que mais se beneficiam de uma revisão rápida e que têm menos margem para erro terapêutico. O segundo passo é o material. Prepare um check-list de revisão farmacêutica com quinze itens fixos. Verificação de adesão, identificação de efeitos adversos, conferência de horários, interações potencialmente clinicamente relevantes, validade dos medicamentos em casa, armazenamento adequado. Isso evita que a conversa vagueie e que informações importantes caiam no vazio. O tempo médio de aplicação é de oito a doze minutos por paciente quando o profissional já domina o roteiro.

?DIA INTERNACIONAL DO FARMACÊUTICO É COMEMORADO EM 25 DE SETEMBRO ...
?DIA INTERNACIONAL DO FARMACÊUTICO É COMEMORADO EM 25 DE SETEMBRO ...

O terceiro passo é o registro. Anotações soltas em papel timbrado viram papel de parede. Use um formulário padronizado, mesmo que seja uma planilha simples no computador da farmácia. Dados organizados permitem acompanhamento longitudinal e, se a secretaria de saúde pedir relatório, você não passa vergonha na frente de uma planilha que leva três horas para ser montada.

O que pouca gente conta sobre a data

A visão romantizada do farmacêutico como mentor afetuoso que abraça pacientes não corresponde à realidade operacional. O dia 25 de outubro expõe exatamente isso. A demanda é maior que a capacidade de resposta. Quando você anuncia a ação, aparecem mais pessoas do que o previsto e o tempo de espera gera frustração em ambos os lados. Eu aprendi isso na marra numa edição em que o fluxo chegou a duzentas pessoas em quatro horas. O que funcionou foi limitar o atendimento a sessenta agendamentos prévios com confirmação por WhatsApp no dia anterior. Quem não confirmasse era dispensado. O resultado foi um atendimento médio de onze minutos com satisfação documentada dos pacientes que realmente foram atendidos. Perdeu-se a oportunidade com quarenta pessoas, mas o trabalho feito foi consistentemente melhor. Outro ponto cego é a questão legal. A Resolução CFF número 714 de 2022 ampliou as atribuições do farmacêutico, incluindo procedimentos clínicos como aferição de pressão e testagem rápida de glicemia. Mas essas normas variam conforme o conselho regional e o município. Antes de promover qualquer atividade que envolva diagnóstico ou prescrição, verifique a regulamentação local. Agir fora dela pode gerar processo ético-profissional.

dia internacional do farmaceutico: alternativas para quem não pode fazer evento presencial

Nem toda farmácia ou serviço de saúde tem estrutura para um dia inteiro de ação. Algumas realidades são mais limitadas e tentar replicar o modelo grande gera desperdício de tempo e frustração. Nesse caso, há opções viáveis. A primeira alternativa é uma campanha digital focada. Você produz dois ou três conteúdos curtos sobre temas como interação medicamento-alimento, importância de não compartilhar medicamentos, ou como ler a bula corretamente. A distribuição pode ser feita pelas redes sociais da unidade com horário definido de publicação para gerarpicos de visibilidade concentrada. O alcance costuma ser inferior ao presencial, mas o custo operacional é próximo de zero. A segunda alternativa é uma carta aberta institucional. Um documento breve dirigido à comunidade local explicando o papel do farmacêutico além do preparo de fórmulas ou da expedição de receitas. Isso tem valor estratégico porque muitos gestores públicos ainda não enxergam a função clínica do profissional. Um texto bem fundamentado pode ser encaminhado para a secretaria de saúde e usado como insumo em reuniões de planejamento.

25 de Setembro - Dia Internacional do Farmacêutico - HFASP
25 de Setembro - Dia Internacional do Farmacêutico - HFASP

A terceira alternativa, e aqui vou ser direto, é adiar. Se você não tem condições reais de oferecer um atendimento de qualidade, não force o evento. Uma ação mal executada prejudica a imagem da profissão mais do que a inação. Prefira usar a data para capacitação interna da equipe, revisão de fluxos, atualização de protocolos. Isso se reflete nos resultados ao longo do ano todo, não apenas no dia 25.

Erros comuns que eu vejo repetindo

O erro mais frequente é a falta de métricas. A ação acontece, as fotos são tiradas, o post é publicado e pronto. Nada é medido. Sem indicadores, você não tem como saber se algo mudou. Anote número de atendimentos, porcentagem de detecções de problemas terapêuticos, taxa de confirmação de agendamento. Esses dados viram argumento para justificar investimento futuro. O erro seguinte é subestimar a parte logística. Material de testagem, luvas, álcool em gel, fichas de consentimento, lixeira paraDescarte de perfurocortantes. Tudo isso precisa estar pronto antes da porta abrir. Eu já vi farmácia tentar improvisar no dia e perder duas horas comprando o que faltava enquanto a fila crescia. Existe ainda o erro de tratar a data como obrigação e não como oportunidade. Quando o farmacêutico vai para o evento com a cara de quem está cumprindo tabela, o paciente percebe. A postura importa tanto quanto o conteúdo técnico. Não precisa ser teatral, mas precisa haver presença real.

Conclusão sobre o que fazer de fato

O dia internacional do farmaceutico não resolve problemas estruturais da atenção farmacêutica no Brasil. Ele expõe, organiza e oferece um momento visível para algo que deveria ser rotina diária. Se você usar a data para criar um fluxo sustentável de revisão farmacêutica, terá ganho real. Se usar apenas para gerar conteúdo institucional, terá gasto o dia sem nada consistente para apresentar depois. A escolha é prática, não filosófica. Planeje com realismo, limite o escopo ao que você consegue executar com qualidade, registre os resultados e ajuste para o próximo ano. Esse é o funcionamento básico que poucas pessoas documentam porque parece óbvio quando escrito, mas que é amplamente ignorado na hora da execução.

25 de setembro: Dia Internacional do Farmacêutico – UniSant'Anna
25 de setembro: Dia Internacional do Farmacêutico – UniSant'Anna