Em Um Motor Os Componentes Do Sistema De Alimentação São
Como funciona o sistema de alimentação de um motor
Vamos direto. Quando você abre o capô e olha para o que alimenta o motor, a primeira coisa que percebe é que existem dois mundos diferentes: a injeção eletrônica dos motores modernos e os carburadores dos mais antigos. Ambos fazem a mesma coisa, mas de formas bem distintas. O básico é simples — precisa levar combustível do tanque até o cilindro na quantidade certa, no momento certo. O conjunto começa com o tanque, que é só uma caixa de armazenamento. A partir dele, o combustível é sugado por uma bomba, que pode estar dentro do próprio tanque ou externa, montada na linha. Ela empurra o líquido por uma mangueira até o filtro, onde as impurezas ficam retidas. Depois do filtro, o combustível chega a um regulador de pressão que mantém uma pressão constante no rail ou na calha de injeção. Nos motores com injeção, os bicos injetores são os responsáveis por pulverizar o combustível nos canais de admissão ou diretamente dentro dos cilindros. Nos motores a carburador, toda essa parte eletrônica não existe — o ar e o combustível se encontram numa câmara de venturi e o nível é controlado por flutuadores e jets de bronze. Em resumo, os componentes principais são: tanque, bomba de combustível, filtro, tubulações, regulador de pressão, injetores (ou carburador), e o rail de injeção quando houver.
Aqui vai algo que muita gente não considera. A bomba de combustível interna ao tanque, aquela que a maioria dos carros atuais usa, é refrigerada pelo próprio combustível. Isso significa que quando o nível do tanque cai demais, a bomba trabalha mais quente porque não está mais submersa. Eu já vi varias bombas failures prematuros em carros que rodavam constantemente com o ponteiro na reserva. O sintoma é clássico: o carro perde força em viagens longas, em ladeiras, quando o tanque está abaixo de um quarto. Desliga e volta a ligar, e funciona normalmente. A correção que eu uso não é trocar a bomba, é manter o nível acima de um quarto e, se necessário, trocar a bomba por uma unidade nova de linha de fábrica, não as réplicas chinesas que vendem em qualquer peça. Sobre os injetores, um ponto que passa despercebido é a taxa de vazamento. Injetor bom não deve pingar quando desligado. Se você desconecta o conector e olha o bico, gota a gota, o problema é interno. O anel de vedação também é crítico — um anel ressecado causa perda de pressão no rail e o motor fica com falhas na aceleração. Eu já gastei horas caçando falha em um Ford Mondeo 2.0 que apresentava microfalhas em alta rotação, só para descobrir que o anel do injetor número 3 estava lascado. Troquei o anel, resolvi o problema. Nada mais. O regulador de pressão merece atenção separada. Ele mantém uma diferença constante entre a pressão da linha e a pressão do coletor de admissão. Se o regulador vaza combustível para o retorno quando o motor está frio, isso é normal. Mas se o retorno estiver aquecendo demais ou com aroma forte de gasolina, o regulador pode estar travado aberto. A verificação é simples: com o motor desligado, abra o bocal da linha de pressão e observe se há combustível saindo. Se sair, o regulador precisa ser substituído.
Um detalhe técnico importante sobre pressão. Motores com injeção multiponto trabalham tipicamente entre 3 e 4 bars de pressão na linha de injeção. Motores com injeção direta, que são outra categoria completamente, operam com pressões na ordem de 50 a 200 bars. Não confunda. Se você medir 4 bars num motor de injeção direta, o sistema de alta pressão está com defeito ou você está medindo na linha errada. O filtro de combustível também é um componente subestimado. O prazo recomendado pela maioria dos fabricantes é de 40 mil a 60 mil quilômetros. Na prática, eu recomendo antecipar para 30 mil quilômetros se o carro roda muito em cidade, com trafego pesado. Filtro entupido reduz o fluxo e a bomba trabalha forçada, o que reduz a vida útil dela também. É um efeito cascata. O maior problema que eu vejo na prática é a instalação de componentes não originais ou de qualidade duvidosa. Bombas genéricas que não respeitam a curva de fluxo original, filtros com trama errada, mangueiras que não suportam pressão contínua. O resultado é sempre o mesmo: falhas intermitentes, difícil diagnóstico, e muito tempo de bancada.
Outro ponto que poucos mecânicos levam a sério é a vedação do tanque. Se a tampa do tanque não aliviar a vácuo corretamente durante o consumo de combustível, cria-se um vácuo interno que dificulta o trabalho da bomba. O sintoma é perda de pressão progressiva. A solução é simplesmente testar a tampa do tanque. Soprar e sugiar ar por ela é suficiente para saber se está boa ou não. Se não passar ar livremente nos dois sentidos, substitua. Há também a questão do combustível adulterado. Etanol com água, gasolina com solventes desconhecidos, aditivos caseiros. Tudo isso deteriora vedações de borracha, entope filtros mais rápido e corrói componentes internos da bomba. Não tem solução mágica além de abastecer em postos confiáveis e usar aditivos que realmente tenham procedência. Os aditivos genéricos que se vendem em qualquer supermercado, na maioria das vezes, não fazem nada além de diluir o combustível original. Se você está diagnosticando uma falha no sistema de alimentação e não consegue achar o problema com o analisador de gases ou o scanner, o próximo passo é medir a pressão real na linha com manômetro. Scanner mostra dados do sensor, mas não substitui a medição física. Um manômetro de 150 reais resolve mais diagnóstico do que três horas de especulação com ferramenta eletrônica.
O sistema de alimentação, no final das contas, é simples na teoria e chato na prática. Os componentes interagem de forma que um defeito pequeno em um deles gera sintomas que parecem pertencer a outro sistema. Por isso o diagnóstico deve ser sempre passo a passo, começando pelas medições objetivas e não pela troca de peças baseada em palpites.
Galeria
-
Sistema de Alimentação do Motor Diesel | PDF | Computadores ... -
Componentes-do-sistema-de-alimentacao-do-combustivel – Blog Simplo -
Funcionamento do Motor - Partes fixas e Móveis - Sistema de Alimentação ... -
Componentes do Sistema de Alimentação | PDF | Injeção eletrônica ...