Exemplo De Objeto Indireto
O que é e como identificar na prática
Objeto indireto é o complemento verbal que se liga ao verbo por meio de preposição obrigatória. Não é opcional. Se o verbo pede "de", "para", "a", "com", o complemento que vem depois disso é indireto. A coisa mais comum que as pessoas confundem é achar que toda preposição indica objeto indireto, o que não é verdade. Preposição pode ligar adjunto adverbial, agente da passiva, complemento nomimal. A diferença está no verbo, não na preposição isolada. O teste prático que eu uso em revisão técnica é simples: transforma a frase na voz passiva analítica. Só o objeto direto vira sujeito paciente. Objeto indireto permanece intacto. Se "o livro" vira "o livro foi lido por mim", estava correto como OD. Se "à Maria" não muda em nada, era OI. Funciona na maioria dos casos, com ressalvas que vou detalhar.exemplo de objeto indireto
Vou colocar exemplos diretos primeiro, porque é assim que o conceito se fixa."Eu entrego o relatório ao gerente." — "ao gerente" é objeto indireto. O verbo "entregar" pede a preposição "a". O complemento "o relatório" é objeto direto. "Ela se referiu ao projeto." — "ao projeto" é OI. "Referir-se" exige "a". Não tem como tirar essa preposição sem destruir a regência do verbo. "Os alunos assistiram ao filme." — "ao filme" é OI. "Assistir" no sentido de ver filme pede "a". Aqui tem uma pegadinha famosa: muitos acham que "assistir" nesse sentido aceita "o" como artigo direto, mas a norma culta mantém a regência prepositiva.
"Nós precisamos de ajuda." — "de ajuda" é OI. Verbo "precisar" rege "de". Parece estranho para quem estuda inglês, onde "need" não usa preposição. Em português, não tem jeito: a preposição faz parte da exigência lexical do verbo. "Ele obedeceu ao regulamento." — OI. "Obedecer" rege "a". Note que não existe forma ativa com "o regulamento foi obedecido por ele" soando natural. Esse é um dos verbos que causam dor de cabeça na passiva.
Agora o exemplo que mais gera discussão. Tem gente que pergunta se palavras como "onde" e "quando" podem ser objeto indireto. A resposta curta é não. Pronomes relativos nesses casos introduzem orações subordinadas adverbiais ou adjetivas, não complementos verbais. O que às vezes se confunde é o caso de "a que" em.relative clauses com antecedente de OI, como em "a pessoa a quem eu me referi". O "a quem" é sim indicação de OI, mas a estrutura é diferente de um pronome oblíquo tônico solto."Eu dei ao aluno o caderno." — aqui o OI vem antes do OD. A ordem dos termos não define a função sintática. O que define é a regência verbal e a presença da preposição obrigatória. "Achei a solução." — olha só isso. "Achar" rege transitivo direto na maioria dos usos. "A solução" é OD, não OI. A preposição "a" aqui é só o artigo definido feminino, não marcador de objeto indireto. Esse erro de identificação aparece com frequência em correções de texto técnico.
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