Glândula Que Faz Parte Do Sistema Digestivo
Glândulas do sistema digestivo: um guia prático
A maior glândula que faz parte do sistema digestivo é o pâncreas. Ele tem duas funções separadas: a exócrina, que produz enzimas para digerir gordura, proteína e carboidrato, e a endócrina, que regula glicose com insulina e glucagon. Na prática, quando alguém fala de pâncreas no contexto digestivo, quase sempre está se referindo ao componente exócrino. O problema mais comum que vejo na clínica não é pancreatite aguda — essa é fácil de diagnosticar. O que realmente complica é a insuficiência pancreática exócrina (IPE), que frequentemente passa despercebida por anos. Os pacientes têm fezes claras, volumosas e mal cheirosas, perdem peso sem querer e às vezes têm deficiência de vitaminas lipossolúveis. Mas o sintoma isolado nem sempre está presente. Já atendi casos em que o único indicativo era anemia por deficiência de vitamina B12, porque a falta de enzimas pancreáticas impedia a liberação da B12 da proteína de ligação. Para diagnosticar IPE, o padrão-ouro atual é a elastase-1 fecal. O teste de Schilling caiu em desuso há bastante tempo. O ideal é coletar uma amostra de fezes em recipiente seco, sem urina ou água sanitária, e enviar para laboratório em até 48 horas se mantido refrigerado. Resultados abaixo de 200 µg/g de feze são diagnósticos de insuficiência. Abaixo de 100 µg/g indica insuficiência moderada a grave.
Tratamento com substituição enzimática
A pancrelipase oral é o tratamento. A dose inicial usual para adultos é de 25.000 a 40.000 UI de lipase por refeição principal, metade disso nos lanches. Para crianças, começa-se com 500 a 1.000 UI de lipase por quilograma de peso corporal por refeição. A chave é dividir a cápsula: metade na entrada da refeição e metade no meio, para cobrir tanto a fase gástrica quanto a intestinal da digestão. O erro mais frequente que eu vejo é o paciente tomar a medicação só no final da refeição. Isso não funciona. As enzimas precisam estar presentes no bolo alimentar desde o início, senão a gordura passa direto pelo intestino sem ser hidrolisada. Outra armadilha comum: usar antiácidos juntamente com pancrelipase para melhorar a absorção. Em doses altas, os IBPs podem alterar o pH duodenal a ponto de reduzir a atividade enzimática, então a combinação precisa ser monitorada.
Precauções e limitações
Nem todo mundo responde bem à pancrelipase. Em alguns pacientes com doença de Crohn no íleo terminal ou com surto de diverticulite, a absorção dos nutrientes melhora apenas parcialmente mesmo com dose alta. Nesses casos, suplementação direta de vitaminas lipossolúveis A, D, E e K é necessária, e o acompanhamento nutricional deve ser mensal nos primeiros três meses de ajuste de dose. Outro ponto importante: a dose máxima segura de lipase por dia em adultos é de 10.000 UI por quilograma. Doses acima disso estão associadas a fibrose retroperitoneal e estenoses de Íleo, uma complicação rara mas documentada. Se o paciente precisa de mais de 80.000 UI por refeição, o médico deve reconsiderar o diagnóstico ou investigar outras causas de má absorção simultâneas.

Dicas para ajustes práticos de dose
Cada paciente responde de um jeito diferente. O ideal é ajustar baseado em sintomas, não em números de laboratório. Se as fezes melhoraram mas ainda háflatulência excessiva, aumenta-se a dose em 25%. Se constipação ou dor abdominal, reduz-se. O intervalo entre ajustes deve ser de pelo menos duas semanas para avaliar resposta completa. Os fabricantes diferentes têm concentrações distintas de enzimas, então trocar de marca exige recalibração completa. Uma cápsula da marca A pode ter 20.000 UI e da marca B ter 25.000 UI, mesmo sendo o mesmo princípio ativo. Não é troca direta. Anotar qual marca e dose o paciente está usando é mais útil do que parece no dia a dia. O pâncreas também pode ser afetado por fatores externos. Álcool crônico, triglicerídeos muito altos acima de 500 mg/dL e certos medicamentos como azatioprina e diuréticos tiazídicos podem danificar a função exócrina. O rastreamento periódico da elastase fecal é recomendável nesses grupos, mesmo na ausência de sintomas digestivos.
Se você está lidando com suspeita de insuficiência pancreática ou já está em tratamento, o acompanhamento com gastroenterologista ou nutricionista especializado é essencial. A automedicação com enzimas sem diagnóstico confirmado pode mascarar outras condições, como doença celíaca ou overgrowth bacteriano, que precisam de manejo diferente.
Galeria
-
Teste De Anatomia Do Sistema Digestivo Planilhas Do Sistema Digestivo, -
Diagrama Do Estomago Do Sistema Digestivo -
Glándulas del sistema digestivo | apun.tesmedicina | uDocz -
GLÂNDULAS SISTEMA Digestivo | PDF | Fígado | Epitélio