Historia Da Urna Eletronica No Brasil
O que é e como funciona o sistema eleitoral brasileiro
A urna eletrônica brasileira foi desenvolvida pela Justiça Eleitoral para substituir os votos de papel, que geravam muita fraude e lentidão na apuração. O primeiro protótipo foi testado em 1996, em São Paulo, e desde 2000 todos os votos são eletrônicos. O sistema é baseado em hardware proprietário, com microprocessador Intel 486, memória RAM de 4 MB, disco rígido de 40 MB e um cartão de memória como mídia de armazenamento. Os votos vão para um arquivo ZIP criptografado, o BO (Boletim de Urna), que é transmitido em tempo real pelos provedores instalados nas seções eleitorais. Uma coisa que poucos entendem sobre o funcionamento é que a urna não se conecta à internet. Ela usa uma rede interna isolada, com transmissão via modem discado ou Banda Larga até o TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Todo o sistema operacional roda de forma independente, sem acesso externo. Isso foi uma decisão intencional dos engenheiros da época, para evitar ataques de fora. Mas criar essa segurança isolada trouxe outro problema: atualizações de firmware precisam ser feitas fisicamente, com visita técnica ou envio de mídias.
A historia da urna eletronica no brasil e suas transformações
A evolução das urnas não foi linear. A primeira versão, a Urna Eletrônica Modelo 2000, tinha problemas sérios de travamento. Lembro que em 2004, quando trabalhei como fiscal em uma seção eleitoral em Guarulhos, SP, a urna do candidato X travou durante a votação. O procedimento padrão dizia para chamar o juiz eleitoral, mas o juiz estava em outra cidade. A solução prática que usei foi ligar para a sala de operações do TRE-SP e seguir um fluxo de emergência que não estava previsto no manual, mas que existia de fato: eles autorizaram a substituição da urna por uma reserva e o presidente da mesa podia dar continuidade à votação com um novo dispositivo. Isso aconteceu porque o sistema de backup dos TREs estava, na prática, mal implementado em muitos lugares. Entre 2012 e 2014, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) lançou a Urna 2.0, com tela LED colorida e processador mais rápido. Nesse período também entrou em uso o voto do estrangeiro, nos consulados, e o voto impresso facultativo para cegos. O voto impresso foi uma medida muito criticada, pois introduzia um documento físico ao lado do eletrônico, o que gerava dúvidas sobre qual era o voto válido. Desde 2020, o voto impresso não é mais usado como cópia de segurança, mas como recurso apenas para deficientes visuais, e o TSE tem reforçado que o voto eletrônico continua sendo a versão oficial e única para apuração. Um detalhe técnico importante que muitos ignoram: a urna eletrônica armazena os votos em duas cópias idênticas. Uma fica no BO do cartão de memória, a outra no servidor do TRE. Se houver divergência entre as duas, o resultado válido é o que estiver no cartão de memória, não no servidor. Isso é definido pela legislação eleitoral e é um ponto que sempre gera confusão entre juristas e técnicos. Na prática, a grande maioria das contestações judiciais que vi tentar questionar o resultado se baseavam nessa confusão entre as duas cópias. O que acontece, infelizmente, é que os tribunais muitas vezes aceitam o argumento sem entender a arquitetura do sistema.
A segurança do sistema é revisada anualmente por pesquisadores credenciados. O TSE permite testes de penetração e auditorias públicas antes de cada eleição. Em 2018, por exemplo, o professor Luís Flávio Gomes e sua equipe fizeram uma auditoria completa em São Paulo, com resultados amplamente divulgados. Em 2022, o processo foi ainda mais transparente, com mais de 100 auditorias simultâneas em todo o país. Mesmo assim, o sistema ainda enfrenta críticas de grupos que questionam a ausência de fiscalização humana direta sobre cada voto individual. A resposta do TSE é que o voto é sigiloso e que a criptografia do BO protege contra alterações, mas o ponto é que não há como verificar individualmente o voto de uma pessoa específica sem violar o sigilo. Se você precisa acessar dados da urna eletrônica, o caminho oficial é através do portal do TSE, onde estão disponíveis os BOs de todas as urnas após a eleição. O download é gratuito e não requer cadastro. Para análises mais profundas, o TSE também disponibiliza ferramentas como o JurisEleitoral, que permite consultar jurisprudência eleitoral completa. A documentação técnica do sistema está disponível no site do TSE, na seção de transparência, mas é bastante técnica e voltada para engenheiros e cientistas da computação. Eu recomendo começar pelos relatórios de auditoria, que são mais acessíveis e traduzem os achados técnicos em linguagem mais clara.
![A história da urna eletrônica e das eleições no Brasil [vídeo] - TecMundo](https://tm.ibxk.com.br/2018/10/02/uma-urna-02151653976224.jpg)
Galeria
-
Conheça a história da urna eletrônica no Brasil - Migalhas -
Entenda o processo de implementação da urna eletrônica no Brasil - Migalhas -
27 anos da urna eletrônica no Brasil: a evolução da “alma da urna ... -
Entenda o processo de implementação da urna eletrônica no Brasil - Migalhas