Indique A Alternativa Em Que Não Há Erro De Concordância
Como identificar a alternativa sem erro de concordância
Muita gente travada em questões de português e acaba errando por simples distração ou por confiar demais na "degravação" da frase. Concordância verbal e nominal é um daqueles assuntos que parecem fáceis até você se deparar com uma questão de concurso que tem sujeito oculto, partícula apassivadora e inversão de ordem em uma mesma frase. Eu costumava encarar isso de forma mecânica: sujeito no singular, verbo no singular; sujeito no plural, verbo no plural. Funcionava para 70% das questões. O problema apareceu quando eu comecei a resolver provas da FGV e CESGRANRIO. Elas adoram criar frases onde o verbo começa no plural mas o sujeito real está depois, ou usarem verbos como bastar e strong;bastar que muita gente conjuga errado porque acha que são impessoais. Deu erro feio numa questão onde a frase era "Bastaram duas horas para o sistema ser reinstalado." A banca marcava como errado. A resposta correta era "Bastou duas horas..." porque quando o verbo bastar tem sentido de ser suficiente, ele fica na terceira pessoa do singular e o sujeito ("duas horas") fica posposto. Eu demorei seis meses absorvendo essa regência.
Então, em vez de decorar regras soltas, o que funciona de verdade é um processo de eliminação. Você lê cada alternativa e busca especificamente os pontos de risco, não a frase inteira como um todo.
Pontos de risco mais comuns nas questões
Vou listar os que eu vejo todo dia em prova, na ordem em que aparecem com mais frequência: Sujeito composto antes do verbo: Quando o sujeito composto vem antes do verbo, a concordância pode ser feita no plural ou o verbo para cada substantivo (em casos muito específicos). A regra padrão é plural. Se a banca colocar o verbo no singular, é erro. Sujeito composto depois do verbo: Aqui o verbo pode ficar no singular (referindo-se ao conjunto) ou no plural. As bancas cobram o plural como forma padrão, mas há divergência. Na dúvida, olhe se as outras alternativas têm erros mais graves e deixe essa para o final.

Partícula "SE" (índice de indeterminação do sujeito vs. partícula apassivadora): Esse é o clássico. Se o "se" é índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular, independentemente do sujeito. Exemplo: "Precisa-se de vendedores." Se o "se" é partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplo: "Vendem-se casas." Dica prática: tente colocar a frase na voz passiva. Se fizer sentido, é partícula apassivadora e o verbo concorda. Se não fizer, é índice de indeterminação e o verbo fica no singular. Verbo "haver" com sentido de existir: Impessoal. Fica sempre no singular. "Havia muitos candidatos." Não "haviam." Qualquer alternativa com "haviam" nesse sentido está errada. Verbo "existir" sendo confundido com "haver": Diferente de "haver," o verbo existir é pessoal e concorda normalmente. "Existiam muitos candidatos." Isso confunde muita gente porque o sentido é parecido, mas a gramática é diferente.
Concordância do particípio: Com os auxiliares ter e haver, o particípio fica invariável. "Eles haviam dito a verdade." Com ser, estar e ficar, o particípio concorda. "A truth foi dita." Se a banca usar "tiveram feito" no lugar de "haviam feito," cai napegadinha. Crase com nomes de lugares: Concordância nominal também entra nessa questão. Nome de cidade vai sem artigo, então não tem crase. "Fui a São Paulo." Mas "Fui à Bahia." A pegadinha é quando a banca inverte: "Fui à São Paulo" — erro. E "Fui a Bahia" — erro também.
O processo que eu uso na hora da prova
Eu leio a frase inteira primeiro, só para ter uma noção. Aí volto e começo eliminando pelas marcas mais óbvias. Se vejo "haviam ocorrido" com sentido de existir, já tiro. Se vejo verbo no plural com sujeito de "vossa excelência" ou "vossa mercê," já tiro — esses exigem verbo na terceira pessoa do singular por tratar-se de tratamento, não de segunda pessoa real. Quando sobram duas alternativas e nenhuma parece errada, eu faço a seguinte verificação: identifico o sujeito de cada uma e vejo se há algum dos casos especiais (pronome de tratamento, verbo haver impessoal, se-índice de IDS, etc.). Na maioria das vezes, uma delas esconde um erro disfarçado. Uma situação que me pegou recentemente: uma questão com "É proibido a entrada de estranhos." Parecia certa. Mas o correto seria "É proibida a entrada de estranhos," porque o adjetivo concorda com o substantivo "entrada." Eu quase marquei errada por ansiedade. A dica é sempre verificar se há adjetivos, artigos ou pronomes que devam concordar com o núcleo, não só o verbo.

Erros que praticamente nunca aparecem
Não adianta se preocupar com exceções extremas. Concordância com "menos" seguido de numeral, concordância do verbo "doer" em expresses idiomáticas, uso arcaico de dual — isso raramente cai. Foque no que realmente aparece em todas as provas: sujeito composto, partícula SE, verbo haver impessoal, particípio e crase. Dominar esses cinco tópicos resolve a grande maioria das questões. Se você quer praticar, o mais eficiente é resolver provas antigas das bancas CESPE, FGV e VUNESP e fazer a análise reversa: em vez de só marcar a resposta certa, explique para si mesmo por que cada alternativa errada está errada. Esse exercício de justificar o erro é o que realmente fixa o conteúdo. Leva cerca de trinta minutos por banca de trinta questões, mas o ganho é comparável a semanas de estudo passivo.
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