Marcas De Cordas De Violão
Escolhendo cordas para violão: o que realmente funciona
Acho que todo mundo já passou por isso: comprou um pacote de cordas novas, colocou no violão, tocou duas semanas e sentiu que não valia o dinheiro. O som ficou abafado, as cordas enferrujaram rápido, ou a tensão mudou tanto que o braço do instrumento saiu do lugar. Isso acontece muito, e a maioria das pessoas culpa o violão quando na verdade o problema é a marca ou o tipo de corda. Vou listar aqui as marcas de cordas de violão que realmente fazem sentido no mercado brasileiro e internacional, mas também vou explicar por que às vezes a marca errada não é o problema principal.
As principais marcas de cordas de violão
D'Addario é provavelmente a mais presente nos violões brasileiros hoje. O modelo EJ16 (bronze fosforescente 80/20) com calibre .012 é um dos mais vendidos por um motivo simples: preço justo e consistência. Você compra seis pacotes e eles soam basicamente iguais. Isso é raro de encontrar. Ernie Ball tem uma linha interessante de bronze fosforescente também, especialmente o modelo Earthwood 80/20 em .012 e .013. A sensação ao tocar é um pouco mais suave que a D'Addario, o que algumas pessoas preferem se têm os dedos sensíveis. A desvantagem é que algumas pessoas relatam que as cordas agudas afinam mais devagar quando novas, então gaste uns 20 minutos esticando e reaparafusando antes de considerar que estão boas. Polystring é uma marca brasileira que ganhou espaço nos últimos anos. O preço é menor que as importadas e a durabilidade é razoável para quem toca em ambientes mais secos ou com pouca umidade. O problema é que o consistency de tensão varia mais entre pacotes diferentes do que nas marcas americanas. Compre e teste antes de depender delas para uma gravação importante.
Fender tem suas cordas de bronze fosforescente, mas sinceramente acho que não oferecem muito diferencial em relação à D'Addario pelo mesmo preço. Já as cordas Fender Extreme Life, com revestimento, são interessantes se você tocar muito e quiser que durem mais, mas o som fica ligeiramente mais fechado e menos brilhante do que uma corda sem revestimento. Martin Marquis é uma opção premium que muitos guitarristas indicam. O bronze 80/20 oferece um brilho inicial muito forte, mas algumas pessoas acham que o brilho some rápido, depois de três ou quatro semanas. Se você está disposto a trocar com mais frequência, o resultado sonicamente vale o investimento. Gibson B450 Bronze é outra marca que faz sentido. São cordas de bronze 80/20 com um calibre generoso. O som é encorpado, bom para violões dreadnought e para quem faz dedilhado pesado. Mas se o seu violão é um modelo menor, como um parlor ou travel guitar, essas cordas podem tensionar demais o tampo e causar algum problema estrutural a longo prazo.

Como instalar e afinar cordas novas sem estragar o instrumento
Colocar cordas novas parece simples, mas tem alguns detalhes que fazem diferença. O problema mais comum é a corda não manter a afinação. Isso acontece principalmente porque o nylon ou o aço novo precisa de tempo para se assentar. A regra prática é esticar cada corda individualmente puxando levemente com os dedos, reaparafusar na tarracha, e repetir isso por pelo menos cinco a dez minutos até que a afinação se estabilize. Outro detalhe importante: ao passar a corda pelo cavalete, deixe uns três ou quatro centímetros sobrando. Enrole com cuidado para que cada volta fique compacta e alinhada, sem sobrepor desordenadamente. Se enrolar mal, a corda pode escorregar e desafinar durante a execução, o que é frustrante na hora de gravar ou tocar ao vivo. Quanto à tensão do braço, trocar de marca de cordas de violão ou de calibre diferente altera a força que age sobre a barra de ação. Se você mudou de .011 para .013, provavelmente vai precisar ajustar o truss rod. Um quarto de volta de cada vez, espere o braço se acomodar e meça a curvatura. Se o braço ficar muito retilíneo ou curvado para trás, as trastes podem começar a buzinar ou as cordas podem arranhar nas casas mais graves.
Um exemplo prático do que dá errado: recentemente troquei todas as cordas do meu violão Martin D-28 de .013 para .012 de uma marca diferentes. A tensão caiu cerca de 15%, o que deixou o braço levemente curvado para frente. O resultado foi ação alta demais nas primeiras casas e dificuldade para dedilhar sem fazer buzz. A solução foi ajustar o truss rod no sentido de endireitar, mas também tive que baixar a saddle do cavalete em cerca de 1 milímetro para compensar. Esse ajuste fino leva uns 15 minutos e evita dores de cabeça depois.
Manutenção e vida útil das cordas
Cordas de aço comum começam a perder brilho e resposta após uma ou duas semanas de uso regular. O contato com os dedos, o suor, a umidade do ar — tudo isso oxida o metal e altera a vibração. A dica prática é limpar as cordas com um pano seco após cada sessão de toque. Não precisa de produtos caros, apenas um pano de microfibra passado de ponta a ponta, removendo resíduos de oleosidade. Se você mora em um lugar muito úmido, como partes do litoral brasileiro, as cordas oxidam muito mais rápido. Nesse caso, cordas com revestimento, como as Fender Extreme Life ou as Elixir Nanoweb, podem triplicar a vida útil, indo de duas semanas para dois ou três meses. O trade-off é o preço: um pacote de Elixir custa cerca de três a quatro vezes mais que um de D'Addario comum. Um erro comum que vejo bastante é as pessoas deixarem as cordas novas por dias sem tocar e depois ficarem frustradas porque o som não parece tão bom quanto quando estavam fresquinhas. Cordas novas precisam ser tocadas para "amassar". As primeiras duas horas de prática realmente fazem as cordas se assentarem e o som melhorar significativamente. Não adianta colocar cordas novas e deixar o violão guardado por uma semana esperando mágica.

Calibres e como escolher
O calibre da corda define a tensão, o sustain e o conforto. Cordas mais finas, como .010 ou .011, são mais fáceis de pressionar e ideais para iniciantes ou para quem faz bending frequente. O defeito é que o som tende a ser mais fino e com menos corpo, especialmente nas notas graves. Cordas mais grossas, .013 ou .014, oferecem mais volume, sustain e resposta dinâmica. São melhores para fingerstyle e para quem quer um som mais encorpado. O problema é que exigem mais força nos dedos e podem causar fadiga, especialmente em músicas longas. Além disso, em violões mais antigos ou frágeis, cordas muito grossas podem deformar o tampo ao longo do tempo. Paraviolões clássicos, as coisas são diferentes. Essas cordas usam nylon na parte inferior e multistrand na parte superior. Marcas como Savarez, Hēgter e Almarbar são boas opções. O calibre e o tipo de nylon afetam muito a resposta tonal. Cordas com tensão alta soam mais brilhantes e projetadas, mas exigem mais força. Tensão baixa são mais macias mas com menos proejção.
Se o seu violão é um modeloentry-level, recomendo começar com .012 ou .013 de bronze fosforescente. São um meio-termo seguro que não sobrecarrega a estrutura e ainda oferecem um som agradável. Se o instrumento for de melhor qualidade, como um Taylor ou um Guild, você pode experimentar calibres mais grossos sem medo.
Quando trocar de marca de cordas de violão
Existem situações em que mudar de marca simplesmente não resolve o problema. Se o violão tem ação muito alta ou o braço está torto, nenhuma corda do mundo vai fazer soar bem. Primeiro corrija o instrumento, depois invista nas cordas certas. É como colocar pneu novo num carro com suspensão quebrada — o problema continua lá, só que agora você gastou dinheiro à toa. Também tenha cuidado com ofertas muito baratas de marcas desconhecidas em sites variados. Já vi cordas vendidas como "premium bronze fosforescente" que na verdade eram aço comum banhado, com som opaco e que enferrujavam em três dias. O teste rápido é: cordas verdadeiramente fosforescentes têm um tom ligeiramente dourado e brilho mais suave. Se parecerem prateadas e brilhantes demais, provavelmente são 80/20 comuns ou pior. Resumindo: escolha a marca baseada no seu estilo de toque, no calibre adequado ao seu violão, e mantenha as cordas limpas. Nada disso é complicado, só exige um pouco de atenção. A maioria dos problemas com marcas de cordas de violão vem de expectativas irreais ou de não fazer a manutenção básica.
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