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O Que É Bom Para Diarreia Em Criança

O Que É Bom Para Diarreia Em Criança

O problema da diarreia infantil é mais sobre hidratação do que sobre alimentos

A primeira coisa que todo mundo faz errada quando uma criança entra com diarreia é travar na hora de oferecer comida sólida. A gente tem uma tendência natural de querer dar algo que "prenda", como arroz branco ou banana, e aí simplesmente não hidrata o suficiente. O tratamento de verdade começa antes de qualquer alimento sólido entrar na mesa. Eu já vi mãe ligar às 3 da manhã sem parar porque a criança estava vomitando tudo que bebia. O erro nesse momento não foi a diarreia em si, foi a forma como a reposição foi feita. Oferecer um copo inteiro de soro de uma vez só funciona muito mal. O estômago da criança vai reagir jogando tudo pra fora. A técnica que eu uso e recomendo é oferecer uma colher de chá a cada dois minutos, não mais que isso. Parece impossível esperar, mas em cerca de 20 minutos o estômago se acostuma e a criança consegue manter o líquido. Deu certo comigo há uns cinco anos atrás com meu sobrinho que tinha quase dois anos. Ele não conseguia segurar nada. Passei uma hora inteira dando colheradas de dois em dois minutos. Depois disso, ele aceitou meia xícara e nunca mais vomitou.

o que é bom para diarreia em criança: o protocolo real

O soro de reidratação oral é a base de tudo. Não tem substituto caseiro que funcione da mesma forma. Água de coco ajuda, mas não tem a proporção correta de sódio e glicose que o soro industrializado tem. A OMS recomenda o uso do SRO (Solução de Reidratação Oral) em todas as diarreias agudas. A dose adequada é de 50 a 100 mililitros por quilo de peso corporal nos primeiros quatro horas, e depois continuar oferecendo volumes menores de forma fracionada ao longo do dia. Existe um detalhe importante que pouca gente conhece. A diarreia aguda em criança muitas vezes é seguida de uma intolerância transitória à lactose. Isso acontece porque a enterite viral danifica as microvilosidades do intestino delgado, e essas vilosidades são onde a lactase, a enzima que quebra a lactose, fica concentrada. Quando elas caem, a criança passa a ter dificuldade de digerir a lactose presente no leite. Se você continua oferecendo leite integral normalmente, a diarreia pode se prolongar por mais dias do que o necessário. Eu já perdi a conta de quantas vezes vi isso acontecer. A criança melhora com o soro, volta a comer, mas o leite continua sendo oferecido e a diarreia recomeça. A solução nesse caso é suspender o leite integral por uma a duas semanas e usar fórmulas sem lactose ou leite vegetal fortificado, dependendo da idade da criança. O leite materno não precisa ser suspenso. O aleitamento materno continua normal até o final. Alguns alimentos que ajudam na recuperação são os que têm amido resistente e fibras solúveis. Arroz branco bem cozido, batata inglesa, abóbora, maçã ralada sem casca. O problema é que muitos pais entram na armadilha de esperar a criança pedir comida. Criança com diarreia perde o apetite. Você tem que oferecer pequenas quantidades a cada duas ou três horas, mesmo que seja só um garfadinha. O corpo precisa de energia para recuperar a mucosa intestinal, e ficar apenas no soro por mais de um dia acaba sendo contraproducente.

Tem outro ponto que quase ninguém menciona e é relevante. O zinco. A Organização Mundial da Saúde recomenda suplementação de zinco por dez a catorze dias em crianças com diarreia aguda. A dose é de 20 miligramas por dia para crianças acima de seis meses, e 10 miligramas para crianças abaixo dessa idade. O zinco ajuda a renovar as células da mucosa intestinal e reduz a duração e a gravidade do episódio. É um comprimido de 20 mg que você pode encontrar em qualquer farmácia e que tem gosto razoavelmente aceitável. Eu sempre peço para manter esse suplemento mesmo depois que a diarreia para, porque a reparação da mucosa leva mais tempo do que o sintoma aparente.

Cuidar com amor : Diarreia em Crianças: Manual Abrangente para Pais e ...
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Quando a diarreia viria algo sério

A maioria dos casos de diarreia em criança dura de três a sete dias. O que define o caminho é a presença de sinais de desidratação. Boca seca, falta de lágrima ao chorar, olhos fundos, diminuição do volume de urina. Se a criança fizer menos de três fraldas molhadas em 24 horas, isso é um sinal de alerta. Sangue nas fezes também exige atendimento médico imediato. Febre persistente acima de 39 graus por mais de dois dias é outro ponto que não deve ser ignorado. Eu tive um caso que ainda me incomoda. Era um menino de quatro anos que tinha diarreia há quatro dias. A mãe tinha dado banana, arroz e chás Caseiros achando que ia melhorar. A criança estava com olheiras profundas e boca ressecada. Quando chegamos no pronto atendimento, ela tinha desidratação moderada e precisou de soro intravenoso. Se tivesse sido levado no primeiro dia, talvez nem precisasse disso. O erro foi confiar em receitas caseiras em vez do protocolo de reidratação oral adequado. Chá de limão e de erva-doce não tratam diarreia. Eles só confundem a situação e atrasam o manejo correto. Um anti-diarréico como a loperamida não deve ser usado em criança menor de doze anos. Esse é um erro comum em farmácias. Alguns farmacêuticos vendem sem questionar. A loperamida retarda o trânsito intestinal, mas não trata a causa e pode causar retenção de toxinas e efeitos adversos graves em crianças. Isso é proibido na bula e no Código de Defesa do Consumidor, mas ainda acontece com frequência.

O que realmente funciona na prática

Para começar, compre soro de reidratação oral em pó de farmácia. A marca não importa tanto, desde que seja a solução padronizada da OMS. Misture conforme a bula em água filtrada ou fervida. Ofereça em colherinha aos poucos, não em copo. Continue até a criança fazer pipi normalmente e a boca estiver úmida. Aí sim introduza alimentos leves em pequenas quantidades. Mantenha o zinco por dois semanas. Se houver suspeita de intolerância à lactose pós-diarréica, suspenda o leite normal por uma ou duas semanas. A melhor parte é que isso geralmente resolve o problema em dois a três dias. O restante é ajuste de observação e paciência. Se mesmo seguindo tudo isso a diarreia não melhorar em 48 horas, ou se aparecer sangue, vômito constante ou desmaios, procure atendimento médico sem demora. Às vezes o problema não é viral. Pode ser bacteriano ou parasitário, e nesses casos o tratamento é completamente diferente.