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Quem Criou A Páscoa

Quem Criou A Páscoa

A origem da Páscoa é mais confusa do que parece

O termo "Páscoa" vem de duas fontes diferentes, dependendo do idioma. Em português, espanhol e italiano, a palavra vem do latim "Pascha", que por sua vez tem raízes no aramaico "Pessach" (Pessach), a festa judaica da passagem. Já o inglês "Easter" e o alemão "Ostern" vêm de uma fonte completamente distinta: a deusa anglo-saxônica da primavera e do amanhecer, chamada Eostre. Isso explica porque países de tradição cristã latino-falante usam o mesmo termo para a celebração religiosa e para a festa judaica, enquanto os países germânicos usaram um nome pagão. Quem criou a páscoa, ou melhor, quem originou a celebração cristã, é uma questão que se mistura com história antiga e teologia dos primeiros séculos. Os cristãos das primeiras décadas celebravam a ressurreição de Jesus em conexão com a Páscoa judaica, sem uma data fixa. No século II, já havia uma divisão: algumas comunidades celebravam na sextafeira ou no domingo seguinte ao Pessach, outras insistiam no domingo mais próximo, independentemente do calendário judaico. Essa divergência ficou conhecida como controvérsia quartodecimana.

Quem criou a páscoa — e por que a resposta não é uma só

O Concílio de Niceia, em 325, resolveu esse impasse de forma prática. O imperador Constantino queria unidade religiosa e o concílio estabeleceu que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia seguinte ao equinócio vernal. A data, portanto, passou a ser calculada astronomicamente, não mais presa ao calendário judaico. Isso não foi uma invenção do zero — a base já existia nas igrejas ocidentais. O que Niceia fez foi padronizar o método e bani a versão quartodecimana como heresia. É importante não confundir a padronização com a criação. A celebração da ressurreição já existia no século I. O que houve foram decisões eclesiásticas e políticas que definiram quando e como ela seria observada pelo mundo cristão ocidental. A Igreja Ortodoxa manteve um cálculo diferente, usando o calendário juliano para determinar o equinócio e a lua cheia. Isso gera uma diferença frequente de semanas entre a Páscoa católica/ protestante e a Páscoa ortodoxa, e é a razão pela qual as datas raramente coincidem. Os símbolos que associamos à Páscoa moderna — coelhos, ovos, cestas — são outra camada. O coelho vem de tradições germânicas de fertilidade ligadas à deusa Eostre e foi absorvido pelo folclore europeu entre os séculos XV e XVII. Os ovos simbolizam a vida nova e tinham um vínculo prático com a quaresma, quando ovos eram proibidos na dieta. No final do período de abstinência, as pessoas cozinhavam e decoravam os ovos, virando presente. O coelho da Páscoa como figura comercial ganhou força nos Estados Unidos no século XIX, trazido por imigrantes alemães, e só se tornou massificado com a indústria de chocolate no século XX.

Existe ainda uma questão técnica que poucas pessoas consideram. O cálculo da data pascal, chamado computo, depende de regras que mudaram ao longo dos séculos. A Gregoriana, implantada em 1582 por papa Gregório XIII, ajustou o calendário para corrigir o deslocamento das estações. Países católicos adotaram imediatamente. Países ortodoxos, que continuaram usando o juliano para fins religiosos, passaram a celebrar a Páscoa em datas diferentes. A convergência dos dois cálculos gera um descompasso que aumenta em certos anos e diminui em outros. Nos últimos cem anos, as Páscoas ocidentais e ortodoxas caíram no mesmo dia apenas cinco vezes: 1963, 1975, 1987, 2001 e 2014. Se você estiver lidando com dados históricos de datas de Páscoa, um problema real é a transição de calendários. Quando eu mapeava registros de festas e feriados municipais em arquivos de prefeituras brasileiras dos séculos XIX e início do XX, encontrei inconsistências porque alguns documentos usavam datas julianas e outros, gregorianas, sem registrar a mudança. A solução foi aplicar a regra de conversão padrão da biblioteca astropy, que lida com a diferença de dias entre os calendários e também calcula a data pascal tanto no estilo ocidental quanto no ortodoxo a partir de qualquer ano. Sem essa ferramenta, você gasta horas conferindo tabelas manuais e ainda assim erra em anos bissextos. A parte comercial da Páscoa, como muitos sabem, é bastante recente. O hábito de dar chocolates como presente se consolidou no Brasil a partir dos anos 1970, com campanhas publicitárias que associaram o coelho e os ovos de chocolate ao feriado. Antes disso, o foco era religioso e familiar, com ceias e missas. A indústria do segmento movimenta bilhões todo ano no país, mas isso não tem relação direta com as origens da celebração.

10 curiosidades sobre a Páscoa que quase ninguém conhece - Tediado
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Em resumo, não há um criador único da Páscoa. O núcleo é cristão, surgido nos primeiros séculos, com raízes no Pessach judaico. O nome em português vem do termo hebraico via latim. O nome em inglês vem de uma divindade pagã. A data fixa veio de Niceia. Os símbolos vieram de folclores europeus distintos. A explosão comercial é do século XX. Tudo isso misturado em um único feriado que o mundo celebra de formas diferentes.