Quem Foi Nisia Floresta
Quem foi Nísia Floresta
Nísia Floresta foi o nome literário de Dionísia Beatriz Fermina Felisberta dos Santos, nascida em 1810 em Potengi, no Rio Grande do Norte. Ela foi escritora, educadora e uma das primeiras vozes públicas do feminismo no Brasil. A coisa mais importante a saber sobre ela é que ela praticamente inventou o debate sobre a educação feminina no país, numa época em que isso era considerado radical para uma mulher branca da elite rural. O nome dela aparece em livros didáticos, mas quase sempre de forma resumida. Ela nasceu numa família rica. O pai era João Maria dos Santos, um fazendeiro influente, e a mãe foi Felipa Carolina de França. Ela nunca teve uma formação formal longa porque o modelo da época não oferecia isso para meninas. Mesmo assim, aprendeu sozinha. Estava alfabetizada com seis anos de idade. Aos doze, lia francês, inglês, latim e italiano. Essa parte é real e é impressionante até hoje. O primeiro livro dela foi publicado em 1832. Era "Direito das mulheres e injustiça dos homens", uma tradução adaptada de Mary Wollstonecraft. Ela não traduziu palavra por palavra. Ela inseriu observações próprias no meio do texto original, o que era incomum para a época e dava à obra um caráter original que muitos leitores não percebem na primeira leitura. Se você for ler a obra hoje, note que as notas dela às vezes contradizem partes do texto de Wollstonecraft. Isso mostra que ela tinha opiniões próprias e não era apenas uma repetidora de ideias europeias.
Ela se mudou para o México com o marido, o médico Jean-Antoine Nísia, cujo sobrenome ela adotou como pseudônimo literário. O casamento durou pouco tempo. Ele morreu pouco tempo depois da chegada deles, e ela ficou lá viúva, com uma filha pequena. Não é romantização dizer que essa experiência mudou tudo. Depois disso, ela saiu do México e voltou ao Brasil, e aí seguiu escrevendo e lecionando. Mais tarde, abriu um pensionato e escola para moças em Paris, por volta de 1842, onde viveu por alguns anos antes de retornar definitivamente ao Brasil. A obra "Opúsculo Humanitário", de 1853, trata da educação e da condição das mulheres e dos povos colonizados. É um texto que liga a opressão feminina à violência colonial. Esse vínculo que ela fazia era avançado para o século XIX. A maioria dos escritores da época tratava os dois temas separadamente. No Brasil, ela fundou o Colégio Nísia Floresta, em Natal, em 1838. Era uma escola para meninas, algo raro. A maioria das instituições educacionais brasileiras daquele período era voltada para meninos ou para elites masculinas. Ela não foi a única mulher a fazer isso, mas foi das mais conhecidas. Seus métodos pedagógicos misturavam ideias francesas com uma preocupação prática com a formação de mulheres que pudessem contribuir para a sociedade de forma ativa.
Ela morreu em 1885, em Trieste, na Itália, onde vivia com a filha. A data exata não é unânime entre historiadores. Algumas fontes indicam 24 de abril, outras dizem maio. Isso gera confusão em textos escolares. A maioria das obras acadêmicas atuais tende a aceitar abril como a data mais provável. Uma coisa que poucos mencionam sobre quem foi nisia floresta é que ela também escreveu sobre abolicionismo. "A Vitória das Mulheres", publicado em 1853, aborda tanto a questão feminina quanto a denúncia da escravidão. O texto é curto e áspero. Ela não era uma escritora de frases bonitas. Era direta. Em época em que muitas intelectuais buscavam aceitação dentro de moldes sociais aceitos, ela não fez esse jogo. Esse é um detalhe que muda a forma como se lê toda a obra dela. Se você quer entender a importância dela sem cair na simplificação, comece por ler os dois livros principais dela. A edição crítica de "Direito das mulheres e injustiça dos homens" organizada pela pesquisadora Elizabeth M. Hunter é boa porque traz notas que explicam as diferenças entre o texto original de Wollstonecraft e as adaptações dela. Sem essas notas, você perde metade do valor do livro. É um trabalho demorado, mas compensa.

Um problema prático ao estudar Nísia Floresta hoje é que muita coisa sobre ela foi construída por historiadores que idealizaram sua figura. O resultado é que biografias mais populares apresentam uma versão lisinha, omitindo contradições e dificuldades dela. Por exemplo, ela teve desentendimentos públicos com outros educadores da época e enfrentou resistência financeira constante para manter a escola. Nem tudo era heroísmo puro. Ela enfrentava limitações reais, como qualquer mulher na profissão intelectual do século XIX. Outro ponto que passa despercebido: a influência dela na educação brasileira foi larga, mas não imediata. Ela morreu praticamente esquecida pelo grande público por décadas. O reconhecimento maior veio a partir da segunda metade do século XX, quando historiadoras e feministas começaram a resgatá-la. Isso significa que grande parte do que se sabe sobre ela hoje foi reinterpretado por perspectivas posteriores. Não é errado dizer isso. É apenas preciso. Para quem estuda o assunto, vale a pena consultar também os trabalhos de Laura de Mello e Souza e de Maria Lúcia Yannoulas de Azeredo, que tratam de aspectos específicos da trajetória dela com mais rigor documental. A bibliografia sobre Nísia Floresta cresceu muito nos últimos anos, mas ainda existem lacunas importantes, especialmente sobre os anos que ela passou na Europa e sobre como suas ideias circularam entre círculos intelectuais franceses e italianos da época.
Galeria
-
Nísia Floresta: Quem foi a primeira feminista do Brasil? - Enciclopédia ... -
CAIXA Cultural Recife | Nísia Floresta, foi uma escritora e intelectual ... -
Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves ... -
Nísia Floresta: A primeira feminista brasileira. - Rádio Cafundo