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Relogio De Mergulho Masculino

Relogio De Mergulho Masculino

O que realmente importa num relogio de mergulho masculino

A maioria das pessoas compra um relógio de mergulho por causa da estética. O mostrador preto, o bisel giratório, a pulseira de aço ou borracha. Isso não é errado, mas esquecem de verificar as coisas que realmente contam quando estão debaixo de água. Eu comprei o meu primeiro relógio de mergulho há anos e gastei dinheiro à toa porque não sabia diferenciar um modelo adequado para snorkeling de um que suportasse meros dez metros de profundidade real. O padrão mínimo é a certificação ISO 6425. Ela exige resistência mínima a 100 metros, teste de resistência à água sob pressão, resistência a choques térmicos, e um bisel unidirecional com cliques bem definidos. Marcas que anunciam "resistência 200m" sem citar a norma ISO estão basicamente dizendo que o relógio aguenta 200 metros em condições laboratoriais controladas, não necessariamente na prática. O problema é que a resistência indicada na caixa raramente reflete a realidade. O meu colega perdeu um SeikoSKX quando mergulhou com ele a 45 metros e a coroa entrou em contato com areia fina durante uma subida. A água infiltrou-se mesmo com o relógio supostamente à prova d'água. Depois disso, desenvolvi o hábito de nunca torcer a coroa sob água, por mais rasa que seja, e de enxaguar o relógio com água doce após cada mergulho em mar salgado.

O bisel é o componente mais negligenciado. Um bisel com cliques frouxos ou que gira no sentido errado pode dar leituras de tempo incorretas, o que em imersões profundas se traduz em problemas reais de descompressão. Teste sempre o bisel antes de comprar: alinhe o ponto zero com o ponteiro dos minutos, submerge levemente em água doce e observe se ele mantém a posição quando exposto a correnteza simulada. Se o ponteiro zero se move, devolva o relógio. Outra coisa que ninguém menciona é a luz. A maioria dos relógios de mergulho baratos usa SuperLuminova C3, que é suficiente para piscinas e águas rasas. Para mergulhos noturnos ou em águas turvas com pouca penetração de luz, o C3 desliga-se em cerca de vinte minutos. Um relógio com BGW9 ou SuperLuminova X1 mantém a luminescência visível por duas horas ou mais. Isso faz diferença real quando você está a trinta metros de profundidade e a luz do sol já não chega.

Mecânica do bisel e por que ele precisa ser unidirecional

O bisel unidirecional existe por uma razão específica de segurança. Se o bisel se mover acidentalmente durante o mergulho, ele só pode indicar um tempo decorrido maior do que o real. Isso significa que o mergulhador vê mais tempo gasto do que realmente passou, o que é seguro porque incentiva uma subida antecipada em vez de atrasada. Um bisel bidirecional poderia reduzir o tempo indicado, levando alguém a acreditar que tem mais ar do que realmente possui. Muitos relógios chineses baratos usam mecanismos de bisel imitadores que não têm travas adequadas. Eu abri um desses modelos para inspecionar o mecanismo e encontrei uma mola de retenção de plástico simples, nada mais. Após três meses de uso regular, o bisel começou a girar livremente com o impacto contra rochas subaquáticas. O relógio continuava "à prova d'água", mas o bisel estava completamente inutilizável para medição de tempo de mergulho. O mecanismo correto usa uma roda de dentes com uma mola de tensão ajustável que permite movimentosum sentido. A cada clique, a mola comprime ligeiramente e depois retorna à posição, produzindo aquele som satisfatório característico. Relógios de marcas estabelecidas como Omega, Seiko, Citizen e Sinn usam este sistema. Relógios abaixo de duzentos euros frequentemente substituem este mecanismo por algo muito mais simples e barato.

Relogio Masculino de Mergulho TRITON Movido a Energia Solar A Prova ...
Relogio Masculino de Mergulho TRITON Movido a Energia Solar A Prova ...

Problemas práticos que ninguém conta sobre relógios de mergulho

Avaliação de profundidade é um campo cheio de exceções. Um relógio certificado para 300 metros pode falhar em temperaturas próximas de zero, especialmente em águas costeiras no inverno. Eu mergulhei com um Omega Seamaster profissional a cinco graus Celsius e notei que a coroa oferecia resistência incomum ao abrir. Verifiquei depois que a vedação de silicone tinha enrijecido parcialmente devido ao frio extremo. Desde então, testo sempre a coroa em água doce morna antes de qualquer mergulho em águas frias. O vale de escape de hélio é outro ponto que gera confusão. Para mergulho recreativo, ele é praticamente desnecessário. O hélio só penetra no relógio durante estadia em câmaras de descompressão saturada, algo que apenas mergulhadores profissionais experincem. Eu vi relógios caros com este mecanismo serem danificados precisamente porque a válvula foi acionada sem necessidade num contexto inadequado, criando uma via de entrada para água quando o relógio ainda estava sujeito a pressão. A manutenção também é menos frequente do que as marcas sugerem, mas isso não significa que possa ser ignorada. Recomenda-se pressão dos selos a cada dois anos para quem mergulha regularmente, não a cada cinco como alguns manuais indicam. Água salgada penetra microscopicamente mesmo em modelos bem selados, e ao secar deixa cristais que desgastam os anéis de vedação ao longo do tempo. O custo de uma revisão completa numa oficina especializada varia entre cento e cinquenta e trezentos euros, dependendo da marca.

Alternativas para quem não precisa de um relógio de mergulho de verdade

Se o objetivo é apenas usar o relógio como acessório no dia a dia e ocasionalmente na praia, um modelo com resistência a cinquenta metros é suficiente. Não precisa investir numa certificação ISO 6425 ou num bisel profissional se nunca vai subir a mais de dois metros de profundidade. O mercado está cheio de relógios com aparência de mergulho que não passam de acessórios decorativos com vedação básica. Por outro lado, se pretende mergulhar regularmente, mesmo que em águas costeiras pouco profundas, o investimento num modelo certificado ISO 6425 com bisel de qualidade e luminescência adequada é justificável. A diferença de preço entre um relógio de entrada e um modelo intermediário ronda os quatrocentos a oitocentos euros, mas a segurança e a durabilidade são proporcionalmente diferentes. Um relógio de mergulho mal comprado pode custar mais caro do que se imagina quando a água entra e estraga o mecanismo. O mercado de usados oferece oportunidades interessantes. Relógios como o Seiko SKX007 ou o Orient Mako mantêm valor razoável e são relativamente económicos de reparar. Peças de reposição são amplamente disponíveis e qualquer relojoeiro com experiência em relógios mecânicos consegue fazer manutenção básica. O importante é verificar o estado dos selos e do mecanismo do bisel antes de fechar negócio, pois estes são os pontos de falha mais comuns em modelos usados.