Tabela Tipo Sanguíneo Pais É Filhos
Como entender a herança do tipo sanguíneo sem perder tempo
A coisa mais importante que você precisa saber antes de olhar qualquer tabela é que o sistema ABO funciona com alelos codominantes. Isso significa que existem três alelos envolvidos — A, B e O — onde A e B se sobrepõem e O é recessivo. Cada pai passa exatamente um alelo para o filho. Pronto. O resto é combinação simples. Quando as pessoas vêm aqui procurando uma tabela tipo sanguíneo pais é filhos, geralmente é porque querem confirmar se um resultado faz sentido. Às vezes é por curiosidade, outras vezes é porque houve uma divergência familiar que gerou dúvida. De qualquer forma, o mecanismo é o mesmo: você cruza os genótipos dos pais e vê quais fenótipos são possíveis.
Como fazer o cruzamento na prática
O primeiro passo é descobrir o genótipo de cada pai, não apenas o fenótipo. Tipo sanguíneo A pode ser genótipo AA ou AO. Tipo B pode ser BB ou BO. Tipo AB é sempre AB. Tipo O é sempre OO. Essa ambiguidade entre A e B é onde a maioria das pessoas erra. Vou dar um exemplo concreto. Se um pai é tipo A (genótipo desconhecido) e a mãe é tipo B (genótipo desconhecido), os filhos possíveis incluem A, B, AB e O. Isso parece contraintuitivo para muita gente, que assume que pais A e B só podem ter filhos A ou B. Mas se ambos forem heterozigotos — AO e BO — o alelo O de cada um pode se encontrar no filho, resultando em grupo O. A probabilidade disso é de 25% nesse cenário específico. Já se o pai for AA e a mãe BB, todo filho será obrigatoriamente AB. Não há como ter outro resultado nesse cruzamento. É ai que a confusão começa quando as pessoas usam tabelas prontas sem entender que cada célula da tabela representa múltiplos genótipos possíveis dentro do mesmo fenótipo parental.
A tabela completa de combinações possíveis
Aqui está o que ocorre quando cruzamos os fenótipos parentais. Os resultados listados são os tipos sanguíneos que podem aparecer nos filhos: O com O gera apenas O. Essa é a combinação mais simples e também a mais procurada em testes de paternidade informais. Quando ambos os pais são O, não há surpresas — o filho obrigatoriamente será O. O com A gera A ou O. O pai O passa apenas alelo O. O pai A pode passar A ou O. Se passar A, o filho é A. Se passar O, o filho é O.

O com B gera B ou O. Mesma lógica do caso anterior. O com AB gera A ou B. O pai O dá sempre O. O pai AB dá A ou B. O filho nunca será O nem AB nessa combinação. A com A gera A ou O. Depende se ambos os pais são AA, AA e AO, ou AO e AO. Se ambos forem AO, há 25% de chance de filho O.
B com B gera B ou O. Mesma lógica aplicada ao grupo B. A com B gera A, B, AB ou O. Aqui é onde a tabela fica menos previsível porque depende dos genótipos ocultos. Se ambos forem heterozigotos, todos os quatro tipos são possíveis. A com AB gera A, B ou AB. Nunca O, porque um dos pais só tem alelos A e B para passar.
B com AB gera A, B ou AB. Também nunca O. AB com AB gera A, B ou AB. O alelo O não existe nesse genótipo, então filho O é impossível.

O fator Rh e como ele complica as coisas
Muita gente esquece que o Rh é um sistema separado. O fator Rh positivo pode ser genótipo DD ou Dd. O Rh negativo é sempre dd. Dois pais Rh positivo podem ter filho Rh negativo se ambos forem heterozigotos Dd. A probabilidade nesse caso é de 25%. Já dois pais Rh negativo têm filho obrigatoriamente Rh negativo. Não existe exceção nessa combinação porque não há alelo D para esconder. Na prática, quando você consulta uma tabela completa de pais e filhos, o Rh entra como uma segunda camada de cruzamento independente. O resultado final combina os dois sistemas. Um filho pode ser A positivo, O negativo, AB positivo e assim por diante.
Quando a tabela não responde tudo
Aqui está o ponto que ninguém conta. A tabela de tipo sanguíneo pais e filhos tem uma limitação fundamental: ela só pode excluir possibilidades, nunca confirmar paternidade com certeza. Se o filho tem um tipo incompatível com qualquer combinação dos pais, aí sim há uma inconsistência. Mas se for compatível, isso não prova nada — centenas de homens diferentes poderiam produzir o mesmo resultado. Enfrentei isso pessoalmente há alguns anos. Uma cliente trouxe os resultados de pais em disputa, todos com grupos sanguíneos diferentes, e o filho era tipo O. Pela tabela, dois dos pais eram compatíveis e um não. Ela achava que isso resolvia a questão. Expliquei que a exclusão do terceiro pai estava correta, mas a compatibilidade dos outros dois não significava que algum deles era o pai biológico. O teste de DNA era o único caminho para uma resposta definitiva. Isso reduziu o escopo de três suspeitos para dois, o que já era útil, mas longe de conclusivo. Outro problema comum são mutações raras. O chamado alelo cis-AB permite que uma pessoa tenha fenótipo AB mas passe apenas um alelo combinado A-B para os filhos, quebrando as expectativas padrão da tabela. E o fenótipo Bombay, extremamente raro no Brasil mas presente em certas comunidades, faz com que alguém tenha sorologia tipo O mas carregue alelos A ou B que não se expressam. Nesses casos, a tabela tradicional falha completamente e é necessário testagem genética avançada.
O que fazer depois de consultar a tabela
Se o resultado foi incompatível, o próximo passo é um teste de paternidade com coleta de células bucais. O custo varia entre 200 e 600 reais dependendo do laboratório e se precisa de validade jurídica. O exame leva de 5 a 10 dias úteis para ficar pronto. Se foi compatível e você ainda tem dúvidas, o mesmo teste resolve. A tabela é uma ferramenta de triagem, não de diagnóstico. Ela serve para eliminar combinações impossíveis rapidamente, economizando tempo e dinheiro antes de partir para a análise genética propriamente dita. Uma última observação prática: anote os genótipos possíveis de cada pai antes de consultar qualquer tabela. Anotar apenas o tipo sanguíneo fenotípico vai te levar a conclusões erradas com frequência. Dois pais tipo A podem ter filho O, mas dois pais tipo A com genótipos AA e AA não podem. Sem saber o genótipo, você não sabe qual cenário está analisando.

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Tipo sanguíneo não bate | BabyCenter -
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