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Tipos De Jacarandá Madeira

Tipos De Jacarandá Madeira

O que você precisa saber sobre as madeiras de jacarandá no mercado

Jacarandá é um termo que todo mundo usa, mas na prática ele esconde uma confusão enorme. Se você for em uma serra ou loja de madeiras e pedir jacarandá, vai receber respostas diferentes dependendo de quem pergunta. O mercado brasileiro lida com pelo menos quatro espécies que carregam esse nome, e elas não são intercambiáveis. Isso importa porque o preço, a trabalhabilidade e a legalidade mudam completamente de uma para outra. O jacarandá verdadeiro pertence ao gênero Dalbergia. São árvores de crescimento lento, madeira densa, com óleos naturais que dão brilho e resistência. O problema é que a maioria dessas espécies está sob restrição de comércio internacional ou listada na CITES. Isso criou um mercado secundário onde nomes populares se misturam e a origem fica obscura. Eu já vi marceneiro comprar Jacarandá-da-bahia e receber outra coisa. A diferença está na veia, na cor e no peso, mas só quem tem o material na bancada percebe de verdade.

tipos de jacarandá madeira: classificação prática

Existem basicamente três grupos que os profissionais realmente encontram. Vou listar do mais crítico ao mais acessível, com o que cada um oferece na prática. Jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) — Este é o jacarandá histórico. Madeira escura, entre marrom-violáceo e preto, com veios bem definidos. Densidade alta, cerca de 1.000 kg/m³ na secagem correta. Foi a madeira padrão para violinos, violões e mobiliário de luxo no Brasil durante séculos. Hoje está na CITES Apêndice II, o que significa que qualquer comércio internacional exige autorização. No mercado interno, peças antigas com documentação podem circular, mas madeira nova extraída de floresta virgem é praticamente inexistente ou ilegal. O preço por metro cúbico em tábuas certificadas gira em torno de R$ 25 mil a R$ 50 mil, dependendo da qualidade da peça. Eu já tive um cliente que queria fazer uma mesa de 2m com essa madeira e o orçamento disparou para mais de R$ 80 mil só no material. A alternativa que funcionou foi usarJacarandá-do-cerrado com acabamento similar. Jacarandá-do-cerrado (Dalbergia frutescens) — Muitas vezes chamado de Jacarandá-paulista ou simplesmente Jacarandá-de-verdade. Cor mais clara, tendendo ao amarelado com veios castanhos. Densidade em torno de 850 a 950 kg/m³. Não está na CITES, o que facilita o comércio legal dentro do Brasil, desde que extraído com licença do IBAMA. É a opção que mais se aproxima das propriedades do Dalbergia nigra em instrumentos musicais. Eu usei essa madeira para um projeto de escala de violão em 2022 e a resposta acústica ficou próxima do jacarandá-da-bahia, com a vantagem de ser sourcing mais previsível. O custo fica entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por m³ em tábuas serradas.

Jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia) — Este não é Dalbergia. É uma árvore de crescimento rápido, nativa da América Central, cultivada como ornamenta em cidades brasileiras. A madeira é leve, cerca de 400 a 500 kg/m³, cor creme a marrom claro. Não tem a durabilidade nem a beleza estrutural das Dalbergias. O nome vem das folhas semelhantes ao ipê, não da qualidade da madeira. Já vi gente vender "jacarandá" sendo na verdade Jacaranda mimosifolia para projetos de marcenaria fina. O preço é muito baixo, entre R$ 1.500 e R$ 3 mil por m³, mas não compete com as espécies verdadeiras em nenhum quesito estrutural. Serve para entalhes leves e decoração, não para instrumentos ou móveis de alta durabilidade. Jacarandá-cerrado ou Maria-preta (Dalbergia miscolobium) — Espécie menos conhecida, encontrada no cerrado central do Brasil. Madeira escura, quase preta em algumas peçãs, densidade alta. O comércio é mais restrito geograficamente e o fornecimento é irregular. Eu encontrei essa madeira em uma serraria em Brasília e o lote tinha variação grande de cor dentro do mesmo material. Dificuldade de padronização é o problema principal. Preço volátil, mas na faixa de R$ 6 mil a R$ 12 mil por m³ quando disponível. Um detalhe que poucos mencionam: a denominação "jacarandá" também é usada comercialmente para madeiras africanas e asiáticas que não têm relação botânica. O jacarandá-africano é na verdade uma Khaya ou Entandrophragma. O jacarandá-indiano pode ser Dalbergia sissoo. Se o fornecedor não informar a nomenclatura científica, desconfie. Eu aprendi isso na prática quando recebi uma remessa que dizia ser Jacarandá-da-bahia e a análise dendrográfica mostrou Dalbergia ecastafolium, uma espécie brasileira diferente, com propriedades distintas.

toras de madeira de jacarandá birmanês, belo padrão exótico em madeira ...
toras de madeira de jacarandá birmanês, belo padrão exótico em madeira ...

A questão legal é o ponto mais sensível. Dalbergia nigra está protegida por portarias do IBAMA e pela CITES. Comercializar sem documentação pode resultar em apreensão e multa. Já vi casos de empreiteiros que compraram tábuas de jacarandá em feiras informais e tiveram todo o material retido na alfândega. O caminho seguro é exigir nota fiscal com a nomenclatura científica, licença de origem e, no caso de D. nigra, certificado CITES. Para as outras espécies, a licença ambiental do estado de origem é suficiente na maioria dos casos. Se o objetivo é fazer um projeto que substitua o jacarandá-da-bahia sem os problemas legais, oJacarandá-do-cerrado é a opção mais honesta. Caso o orçamento seja mais apertado e a resistência não seja crítica, o Jacarandá-mimoso funciona para peças decorativas. Evite espécies de procedência duvidosa que aparecem em marketplaces com preços irrisórios. Madeira barata de jacarandá geralmente é outra coisa, e a diferença aparece depois que o projeto já está montado.