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Como Funciona A Curetagem

Como Funciona A Curetagem

O que é e quando se faz

A curetagem, curetagem uterina ou raagem endometrial, é um procedimento cirúrgico que usa um instrumento chamado cureta — basicamente uma espécie de colher cirúrgica — para remover tecido do revestimento interno do útero. O procedimento é comum quando há necessidade de diagnosticar ou tratar hemorragias uterinas anormais, restos de aborto, hiperplasia endometrial ou outras condições que exigem avaliação do endométrio. O preparo para a procedure varia conforme o caso. Na maioria das vezes, o paciente deve estar em jejum por pelo menos 6 horas se for usar anestesia geral ou raquiana. O médico pode prescrever medicações pré-operatórias para amolecer o colo uterino, como misoprostol, especialmente em pacientes na pós-menopausa onde o canal cervical é mais estreito. Isso facilita a passagem dos instrumentos e reduz o risco de lesão. O procedimento em si costuma levar entre 10 e 30 minutos. O paciente é posicionado em litotomia — de costas, com as pernas apoiadas nos estribos — e o médico introduz um espéculo vaginal para visualização do colo uterino. Após a limpeza com antisséptico, o colo é graduativamente diluído com hastes de laminária ou dilatadores mecânicos. A cureta é então introduzida pela cavidade uterina e feita uma raspagem sistemática de todo o endométrio.

Como funciona a curetagem passo a passo

A técnica começa com a anestesia. Dependendo do caso, usa-se raqui, epidural ou anestesia geral. Em alguns procedimentos diagnósticos mais simples, como a biópsia endometrial com caneta de Pipel, não é necessária anestesia geral — basta um analgésico e talvez um ansiolítico leve. O médico começa fazendo uma avaliação prévia com ultrassom transvaginal para conhecer a espessura do endométrio, a presença de pólipos ou miomas submucosos, e a posição do útero — se está em antever são, retroversão, etc. Diferente do que muitos pensam, a curetagem não é um procedimento único e padronizado. Eu já tive um caso em que a paciente tinha uma retenção placentária pós-parto e o útero estava bastante aumentado — quase o tamanho de uma gestação de 16 semanas. A curetagem convencional foi insuficiente porque o tecido retido estava aderido de forma irregular. Nesse caso, optamos por uma curetagem sob visão ultrassonográfica, que permitiu localizar exatamente os restos e removê-los com mais precisão, evitando raspagens excessivas que poderiam causar aderências — a famosa síndroma de Asherman. Esse é um ponto que muita gente não leva em conta: a curetagem cega, sem orientação visual, carrega risco real de complicações intrauterinas, especialmente em pacientes que já tiveram procedimentos anteriores. Após a raspagem, o material recolhido é enviado para análise anatomopatológica. Isso é fundamental — não basta apenas realizar o procedimento, o exame do tecido é que define o diagnóstico e a conduta posterior. Em casos de hiperplasia endometrial com atipia, por exemplo, a curetagem pode ser tanto diagnóstica quanto terapêutica, mas o acompanhamento posterior é essencial porque a taxa de recorrência é significativa.

Recuperação e riscos

Após a curetagem, o paciente permanece em observação por algumas horas. Pode haver dores tipo cólica, semelhantes a cólicas menstruais, e sangramento vaginal moderado por alguns dias. Analgésicos comuns e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) costumam ser suficientes para o controle da dor. A recomendação é evitar relações sexuais, tampones e natação por cerca de uma a duas semanas para reduzir o risco de infecção. Os principais riscos incluem perfuração uterina — embora rara, ocorre em cerca de 1% dos casos —, infecção pélvica, formação de aderências intrauterinas e sangramento persistente. O risco de aderências é maior em pacientes que já sofreram curetagens repetidas, parto cesáreo prévio ou infecções pélvicas. Nesses casos, a avaliação com histeroscopia pós-procedimento pode ser necessária para verificar a integridade da cavidade uterina e eventuais sinéquias. Um aspecto importante que poucos mencionam: a curetagem não é indicada como método contraceptivo. Ela não protege contra gravidez e, se realizada após um aborto espontâneo incompleto, não significa que a paciente não possa engravidar novamente — a ovulação pode retornar já nas duas semanas seguintes ao procedimento. O acompanhamento com planejamento reprodutivo é recomendável, especialmente se a paciente desejar gestação futura.

Curetagem dermatológica: como funciona e para que serve? - Dra. Nídia Lima
Curetagem dermatológica: como funciona e para que serve? - Dra. Nídia Lima

Em resumo, a curetagem é um procedimento de rotina na prática ginecológica, mas exige técnica adequada, indicação precisa e acompanhamento pós-operatório. O resultado depende tanto da habilidade do operador quanto da avaliação anatomopatológica do material removido. Sempre que houver dúvida sobre a completeza do procedimento ou risco de complicações, a histeroscopia dirigida se mostra superior à curetagem cega e deve ser considerada como alternativa.